domingo, 14 de novembro de 2010

O ataque

-Por que ninguém fala comigo?? Eu fiquei invisível foi??
        Não era possível que depois de anos de convivência, meus próprios colegas de turma não queriam mais falar comigo. Eu ia para o intervalo - ninguém, eu ia para as aulas -ninguém, eu estava sozinha! Isso me lembrou que antigamente, os índios tinha uma maneira de matar um rival, bastava simplesmente ignorá-lo, assim ele enlouqueceria e morreria de solidão...É parecia que funcionava. Mas o que eu tinha feito para receber aquilo das pessoas que eu convivi por mais de 10 anos?
         Só foi naquela terça feira à tarde que eu descobri.
         Saí da sala para beber água, quando eu estava voltando, eu fui agredida verbalmente por uma das minhas colegas. Ela me chamava de vagabunda para baixo, gritava como uma louca, como se eu tivesse feito algo horrível, como se eu fosse um ser desprezível, que não merecesse respeito, que não merecesse nada na vida a não ser desprezo e ódio.Eu, que nunca fui santa, gritei com ela de volta. Retribui cada palavra de rancor que ela me deu.Até ela me tocar....
         Como é? Pra que me bater?Hahahaha, não sabe com quem ela estava falando...Eu lutava karatê há mais de 5 anos, eu poderia muito bem acabar com a raça dela!!!Entre socos e pontapés -é eu nunca tive uma briga de mulher, daquelas, com direito a puxões de cabelo, eu sempre parti para os pontapés, que são meus favoritos...
         E foi assim que paramos na sala do diretor, que além de nos ameaçar com suspensão, resolveu bancar o detetive e levantar o porquê da briga. Sim, era o que eu precisava, o motivo de eu ter sido tratada de maneira tão mesquinha! Ele estava sendo não só um diretor para mim, mas um amigo! Agradeci imensamente quando ele pediu para aquela galinha responder.
- Bom, nós ouvimos histórias,que Lina falou mau de nós, ela xingou a gente, ela nos humilhou, isso não é certo, e eu vim tirar satisfação com ela.
- Como é?!?!?!?Por que eu ia falar mal de você? Eu juro que não falei! - me defendi.
-É?! Não acredito -falou a garota.
E foi um bate-boca, até o diretor mandar que parássemos. Então, ele pressionou a menina para dizer quem levantou o falso testemunho.
-Foi Gabriel.
          Bem típico dele. Irritado pelo fato de ter perdido o troféu que ele ostentava -sim, eu era o troféu, ele não me amava, só queria me mostrar para os colegas dele, como depois eu percebi - resolveu criar uma história mirabolante para colocar todos meus colegas, que dividiram anos e anos experiências comigo, contra mim.
           E ele tinha conseguido.

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